Tenho por várias vezes dito que combater a violência, usando mais violência, só produzirá mais violência. Olho por olho e no final todos nós terminaremos cegos. Em mais uma atitude de tentativa pela força surge a ideia na nossa cidade de armar a guarda municipal, assim constituindo na prática uma espécie de “polícia municipal”.
Já de início me chama atenção o aspecto jurídico do projeto, pois a lei afirma que às guardas cabe a proteção dos bens municipais, serviços e "logradouros públicos", além de exercer as "competências de trânsito que lhe forem conferidas", ou seja, o policiamento ostensivo não seria uma competência delas, salvo uma emenda constitucional que ainda não aconteceu.
Quando me deparo com essa ideia de uma guarda municipal armada, uma pergunta me vem à cabeça, será que uma prefeitura que ainda não conseguiu cumprir sua promessa de construir uma nova cede para a guarda municipal terá condições de dar treinamento adequado e outras estruturas como por exemplo criação de corregedoria (que possa combater abusos com autos de resistência) ou serviço de avaliação psicológica? Particularmente acho que não
O que mais temos visto em treinamentos de forças militares são práticas espartanas de extrair dos seus alunos o que ainda lhes resta de humano, tornando-os insensíveis e cegos aos anseios dos cidadãos como ocorrem nos chamados “corredores poloneses” ou nos “rituais de iniciação”, e darem mais ênfase às noções do que sejam direitos e dignidade da pessoa humana. A cultura do enfrentamento deve ser substituída pela consciência cívica do “servir e proteger”
Com isso também aumentaremos os riscos inerentes à função que já são reais e vão expor os guardas e a população com maior frequência a situações de perigo e enfrentamento.
Entendo perfeitamente que algo precisa ser feito para freiar a violência, mas o combate a violência é um problema complexo, portanto populismos e revanchismos não vão resolver o problema. Problemas complexos não vão ser resolvidos com “soluções” simples, quando isso acontece quase sempre a “solução” vira problema.
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