sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Táxi ou uber? Por que não os dois?

O aplicativo Uber chega trazendo alvoroço pois leva o modelo de economia de compartilhamento a um mercado muito organizado como o dos táxis, é natural que em toda essa polêmica tenhamos muita discussão em torno do tema, e com certeza você já deva ter presenciado em algum lugar debates sobre o tema.

Antes de mais nada é importante lembrar que o uber é regulamentado em vários lugares do mundo através de modelos diferentes adaptados à realidade e debate de cada local, no México, por exemplo, a solução encontrada foi taxar por corrida, na Holanda resolveu-se transformar os ubbers em táxis permitindo apenas recrutamento taxistas e assim por diante se adaptando a cada situação. Considero fato que não adianta esconder a questão proibindo e sim precisamos regulamentara atividade, inclusive proibir o uber fere o marco civil, concretizando uma proibição de aplicativos

Um ponto fundamental da questão é a forma como o ubber pode trazer uma revolução do modelo atual de alvarás de táxis (também chamados de autonomias), abre-se a possibilidade de que haja uma valorização do profissional taxista com a desvalorização dos alvarás, já que sabemos que a maioria desses alvarás não estão de posse dos taxistas e sim de pessoas de alto poder econômico que acabam por utilizar a situação para adquiri-los e explorar os motoristas de táxis cobrando taxas. Lembre-se que os modelos de autonomia de táxi em sua maioria foram sorteados pelas prefeituras, e posteriormente negociados ilegalmente. Há relatos de que em várias cidades temos verdadeiras máfias de taxis clandestinos

Incentivar modelos de economia de compartilhamento retira intermediários das negociações e ajuda a distribuição de renda

Outra reflexão importante é que a coparticipação do uber no mercado aumenta a concorrência incentivando a melhoria do serviço de taxi, muitas vezes tão questionado

Não pretendo entrar aqui no debate de qual modelo devemos utilizar na regulamentação isso resolve-se a seu momento, mas deixar claro que temos uma grande oportunidade nas mãos de incentivar melhoria de serviços e distribuição de renda na cidade.


Os próximos capítulos da novela dirão o que vai acontecer

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olha o arrastão !!!

Ainda me lembro quando era criança e essa prática começou a se tornar mais presente nas praias cariocas. Os arrastões surgiram no cotidiano da cidade em 1991. Em dezembro daquele ano, uma pesquisa feita pelo Departamento de Marketing do GLOBO mostrou que 41% dos cariocas acreditavam que a estação que se aproximava seria o “verão do arrastão”. Lembra? Foi quase um ano depois, no entanto, que as cenas, especialmente em Copacabana e Ipanema, tornaram-se mais frequentes, e as imagens se espalharam pelo mundo.

Somente uma pessoa muito ingênua (por boa ou má intenção) acharia que em meio a toda essa convulsão social que temos vivido um fenômeno como esse deixaria de estar presente. O atual cenário onde poucos tem muito e muitos tem pouco só contribui cada vez mais para ampliar isso tudo, quem tem pouco tem muito pouco e começa a se rebelar contra quem tem muito. A necessidade de sobrevivência e a falta de acesso desses que tem pouco a boa formação e a serviços básicos da sociedade faz com que essa rebeldia seja cada vez mais animalesca e violenta.

Agora engana-se quem pensa que a atitude violenta seria algo exclusivo ao grupo dos pobres. Já estamos vendo movimentos do tipo “contra arrastões”, que na minha opinião acabam sendo motivados também por sobrevivência e falta de formação.

A sociedade arde em chamas de verão, chamas essas que precisam ser apagadas
Como apagaremos essas chamas é a grande questão. Infelizmente vai sempre haver quem diga: “são vagabundos e pitboys que não tem vergonha na cara e tem que ser colocados na cadeia”. Longe de mim incentivar a impunidade, mas tentar resolver problemas complexos com soluções simples quase nunca dá certo

A sociedade está em convulsão e assim como uma pessoa passando por esse problema sempre tem o mito de que tudo que temos que fazer é não deixar a “língua enrolar”.


Que tal dar o remédio certo para que isso não aconteça?