terça-feira, 1 de março de 2016

A solução para as enchentes em Niterói

Todos os anos ano quando passamos pelo período das chuvas enfrentamos os mesmos problemas com as enchentes e suas consequências. Com o aumento significativo desse volume de chuvas, devido a problemas ambientais, isso só vem piorando.

Apesar desse problema, olhando para ações aplicadas com sucesso em outras grandes metrópoles, somadas a um esforço de priorização da população em detrimento do lucro das grandes empresas junto com atitudes relacionadas a sustentabilidade, percebemos que é possível uma solução.

Antes de mais nada, para se combater exitosamente um problema, é preciso conhecer e eliminar suas causas. A administração pública deverá necessariamente complementar seu programa com um audacioso grupo de ações que incidam diretamente sobre as causas maiores das enchentes. Especialistas apontam que basicamente são 3: Impermeabilização do solo, ocupação irregular, assoreamento dos rios por destino de lixo e resíduos sólidos. Baseando-me nisso quero apresentar soluções viáveis:

  • Impermeabilização do solo:
Os materiais atualmente utilizados na pavimentação favorecem as enchentes, Áreas cobertas com esse tipo de asfalto e cimento ficam totalmente impermeáveis. Além de impossibilitar a absorção da água da chuva, o solo impermeabilizado faz a água correr mais rápido e tomar conta da cidade rapidamente

A boa notícia é que já existem tipos de pavimentos permeáveis utilizados com sucesso há mais de trinta anos nos Estados Unidos e em países europeus, como Inglaterra e Alemanha, embora de uso relativamente recente no Brasil. Outra boa opção para algumas localidades são os Blocos intertravados - como os usados em calçadões e em ruas de cidades menores - assentados sobre areia permitem que a água penetre no solo e escoe sob o piso das ruas e avenidas

Vale lembrar que Quanto mais espaço coberto por vegetação, melhor. Solo não pavimentado absorve até 90% da água da chuva. As cidades deveriam ter 12 m² de área verde por habitante - São Paulo, por exemplo, tem uma média de apenas 4m²

  • Ocupação Irregular:
Infelizmente nossas cidades foram ocupadas de maneira Irregular, o que culminou na atual situação de desastres ocasionados pelas enchentes, apesar disso a solução para pelo menos estacionar este problema é simples. Planejar e colocar regras claras e rígidas para o crescimento urbano.

Isso visa reduzir drasticamente os intensos processos erosivos que incidem sobre todas as frentes de expansão urbana da metrópole, hoje palco de um verdadeiro desastre geológico

Nos locais já ocupados é necessário Aumentar a capacidade de retenção de águas de chuva por infiltração e reservação. Uma excelente alternativa para isso são telhados verdes que podem reter até 25% da água.

  • Assoreamento dos rios:
Não precisa nem falar que jogar lixo nos rios polui a água e acaba com qualquer tipo de vida que exista por ali. Mas o mau costume causa ainda o assoreamento dos rios, ou seja, o lixo se acumula nas bordas e no fundo dos rios, deixando-os mais rasos e estreitos. Assim, transbordam facilmente

Assim como o lançamento irregular do entulho de construção civil e do lixo urbano.

É preciso ser feito durante todo ano um trabalho de conscientização da população sobre o destino de lixo, que também favorece as enchentes. "Esse trabalho de informação sobre os resíduos sólidos deve ser contínuo, não se pode falar só durante a chuva.

Outra coisa importante de se dizer é que Usar avenidas vizinhas a rios como vias de grande circulação é uma péssima ideia. Quando chove muito e o nível do rio sobe, essas áreas são as primeiras a sofrer e comprometem o trânsito da cidade inteira

Iniciativas tomadas em outros países mostram que é possível resolver o problema

A Holanda é uma das regiões da Europa mais suscetíveis a enchentes, pois o país tem 26% de seu território abaixo do nível do mar. Lá, o governo trabalha há anos com um plano de reordenamento territorial, que prevê um recuo nos diques de contenção, ampliando as áreas de alagamento.

A cidade de Tóquio, no Japão, também é apontada como exemplo. Entre as preocupações do governo está a detenção das águas pluviais, com a construção de reservatórios capazes de armazenar bilhões de metros cúbicos de água, e a sua utilização para fins não-potáveis.

Mais do que nunca é necessário que trabalhemos por nossa cidade pensando no bem estar, no compromisso de favorecer a população e não a construção civil. Precisamos de mudança


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Querem um ministro da justiça ou um advogado do PT?

A saída de José Eduardo Cardoso do ministério da justiça nada mais é do que um daqueles episódios em que você tem uma grande oportunidade de perceber o estado atual da política brasileira. A tempos alas do PT vem pressionando o Ministro e a Presidente Dilma sobre o incomodo gerado pelas investigações da Polícia Federal. Porém, se os investigados fossem da oposição esse mesmo incomodo estaria acontecendo?

Antes defensora de José Eduardo, a partir da prisão de João Santana, o comportamento da presidente Dilma começa a mudar reforçando a tese de que a operação lava jato começa a ameaçar a continuidade do governo, já que João e sua mulher, executivos da Andrade Gutierres e da Odebrecht possam tomar o mesmo rumo da Camargo Correa pelo caminho das delações premiadas, o que preocupa Dilma já que essas delações podem reforçar a tese de que a campanha de 2014 obteve dinheiro ilegal. Isso é um argumento forte para impeachment

Olhando para o futuro, logicamente o PT pressionará para que o próximo ministro seja alguém que “agrade ao partido” e que controle as investigações, o que pode prejudicar a já limitada autonomia da PF.

Nessa hora não deixo de me perguntar querem um ministro da justiça ou um advogado do PT?



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Você sabe como está o acesso a banda larga no Brasil?

Talvez você não saiba mas desde 2012 o Brasil possui, por iniciativa do governo, um plano nacional de banda larga que tem por objetivo massificar o acesso à internet em banda larga no país, principalmente nas regiões mais carentes da tecnologia. O objetivo inicial era de chegar a 40 milhões de domicílios conectados à rede mundial de computadores em 2014.

O tempo passou e a meta está longe de ser batida, no ano passado o Brasil encerrou setembro com apenas 25,43 milhões de acessos à banda larga fixa, uma realidade mais dura ainda se observarmos que a o acesso é mal distribuído entre as regiões, fazendo com que as áreas, mais carentes sejam desassistidas. O Sudeste concentra o serviço, com quase 15 milhões de pontos de acesso

Se levarmos em consideração em conjunto o acesso móvel, o acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, ou seja, equivalente a apenas 49,4% da população, segundo indica o IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013. Algumas pesquisas mostram que no Brasil mais de 38 milhões de famílias vivem um hiato digital

O que identificamos com esses dados? O PNBL está defasado e desatualizado, porém com algumas soluções podemos proporcionar uma reviravolta nessa situação:

  1. O plano deve ser revisto e atualizado para a nova realidade da internet brasileira. As velocidades mudaram, pois o consumo de serviços que exigem mais velocidade de conexão como streaming de vídeo está estabelecido.
  2. As resoluções que se referem a prestação de serviço das operadoras devem garantir mais qualidade no serviço, por exemplo: Obrigar as operadoras a oferecem a velocidade contratada de maneira real a maior parte do tempo e não apenas frações da velocidade com picos de alta performance como temos hoje em muitos lugares
  3. Sinal aberto e de qualidade em vias públicas é muito importante. Projetos de acesso público à internet de alta qualidade impulsionam o mercado a oferecer serviço melhor, pois o usuário começa a perceber que no espaço público está tendo melhor desempenho e com isso cobra mais do serviço na sua casa.
  4. Democratizar o acesso através destes mesmos projetos em espaços públicos leva internet a periferias onde o acesso é muito mais restrito por questões econômicas e de infraestrutura.
  5. Olhar com atenção as regiões mais pobres do Brasil e obrigar as operadoras a investir em tecnologia de maneira efetiva (saindo dos falsos planos de ação), fazendo o acesso chegar a essas regiões.
É importante estar atento ao para o papel central que a internet ocupa hoje na sociedade. Por ela passam, cada vez mais, as relações econômicas, políticas e sociais. Continuaremos atentos e cobrando por uma sociedade mais justa no que se refere ao acesso digital

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mídia sem lei é boa? Para quem?

Tenho visto muitos posts na internet exaltando a decisão do presidente da Argentina em acabar com o órgão regulador da mídia no país.

Sou totalmente contra censura e a favor de uma imprensa livre, no entanto, uma imprensa para ser realmente livre precisa ser regulada para que problemas como os que acontecem com a mídia no Brasil sejam evitados
Problemas com a mídia no Brasil? Sim, temos vários e eles só não são noticiados. já pensou porque?
O que vou falar agora dificilmente será mostrado em algum jornal (diferente de atitudes como as de Macri que a imprensa vai fazer questão de exaltar) mas o Brasil tem uma das legislações mais atrasadas do mundo em relação a mídia. Isso na verdade mostra os tentáculos que as grandes empresas dessa área tem dentro da política e o medo que alguns políticos tem de mexer nesses "vespeiro".
  1. O artigo 220, por exemplo, define que não pode haver monopólio ou oligopólio na comunicação social eletrônica. Hoje, no entanto, uma única emissora controla cerca de 70% do mercado de TV aberta.
  2. O artigo 221 define que a produção regional e independente devem ser estimuladas. No entanto, 98% de toda produção de TV no país é feita no eixo Rio-São Paulo pelas próprias emissoras de radiodifusão, e não por produtoras independentes.
  3. O artigo 223 define que o sistema de comunicação no país deve respeitar a complementaridade entre os setores de comunicação pública, privada e estatal. No entanto, a imensa maioria do espectro de radiodifusão é ocupada por canais privados com fins lucrativos. Ao mesmo tempo, as 5.000 rádios comunitárias autorizadas no país são proibidas de operar com potência superior a 25 watts, enquanto uma única rádio comercial privada chega a operar em potências superiores a 400.000 watts. Uma conta simples revela o evidente desequilíbrio entre os setores.
  4. O artigo 54 determina que deputados e senadores não podem ser donos de concessionárias de serviço público. No entanto, a família Sarney, os senadores Fernando Collor, Agripino Maia e Edson Lobão Filho, entre tantos outros parlamentares, controlam inúmeros canais em seus estados. Sem uma lei que regulamente tal artigo, ele – como os demais da Constituição – torna-se letra morta e o poder político segue promiscuamente ligado ao poder midiático.

É importante salientar que uma legislação adequada sobre a mídia não é coisa de esquerdista ou de comunista. Países liberais como Estados Unidos tem leis que tentam impedir a concentração de poder, na Suécia a publicidade infantil é proibida impedindo controle por parte de engenharia social praticada pela propaganda, e diversos países observam faixas etárias adequadas para cada tipo de programação.

Pergunte-se. A quem interessa a mídia sem lei? Regulamentar a mídia é democratizar a democracia


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Porque para mim o bloqueio do whatsapp é errado


  1. Os usuários estão sendo punidos em conjunto com a empresa. Decisões judiciais devem punir a quem de direito sem atingir a outras pessoas, ou seja, nesse caso os usuários não devem ser punidos juntamente. Portanto a ordem é desproporcional
  2. Prejudica as operadoras. O Marco Civil da Internet não permite que o provedor de serviços de telecom se responsabilize por atos de terceiros.
  3. O juiz visa com essa ordem forçar o Facebook (empresa que administra o aplicativo) a cumprir uma decisão judicial, mas há outros meios de fazer cumprir essa ordem.
  4. Suspender completamente o serviço de WhatsApp fere o direito a uso de todos os usuários, além de ir contra o livre acesso que dispõe o Marco Civil da Internet

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Táxi ou uber? Por que não os dois?

O aplicativo Uber chega trazendo alvoroço pois leva o modelo de economia de compartilhamento a um mercado muito organizado como o dos táxis, é natural que em toda essa polêmica tenhamos muita discussão em torno do tema, e com certeza você já deva ter presenciado em algum lugar debates sobre o tema.

Antes de mais nada é importante lembrar que o uber é regulamentado em vários lugares do mundo através de modelos diferentes adaptados à realidade e debate de cada local, no México, por exemplo, a solução encontrada foi taxar por corrida, na Holanda resolveu-se transformar os ubbers em táxis permitindo apenas recrutamento taxistas e assim por diante se adaptando a cada situação. Considero fato que não adianta esconder a questão proibindo e sim precisamos regulamentara atividade, inclusive proibir o uber fere o marco civil, concretizando uma proibição de aplicativos

Um ponto fundamental da questão é a forma como o ubber pode trazer uma revolução do modelo atual de alvarás de táxis (também chamados de autonomias), abre-se a possibilidade de que haja uma valorização do profissional taxista com a desvalorização dos alvarás, já que sabemos que a maioria desses alvarás não estão de posse dos taxistas e sim de pessoas de alto poder econômico que acabam por utilizar a situação para adquiri-los e explorar os motoristas de táxis cobrando taxas. Lembre-se que os modelos de autonomia de táxi em sua maioria foram sorteados pelas prefeituras, e posteriormente negociados ilegalmente. Há relatos de que em várias cidades temos verdadeiras máfias de taxis clandestinos

Incentivar modelos de economia de compartilhamento retira intermediários das negociações e ajuda a distribuição de renda

Outra reflexão importante é que a coparticipação do uber no mercado aumenta a concorrência incentivando a melhoria do serviço de taxi, muitas vezes tão questionado

Não pretendo entrar aqui no debate de qual modelo devemos utilizar na regulamentação isso resolve-se a seu momento, mas deixar claro que temos uma grande oportunidade nas mãos de incentivar melhoria de serviços e distribuição de renda na cidade.


Os próximos capítulos da novela dirão o que vai acontecer

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olha o arrastão !!!

Ainda me lembro quando era criança e essa prática começou a se tornar mais presente nas praias cariocas. Os arrastões surgiram no cotidiano da cidade em 1991. Em dezembro daquele ano, uma pesquisa feita pelo Departamento de Marketing do GLOBO mostrou que 41% dos cariocas acreditavam que a estação que se aproximava seria o “verão do arrastão”. Lembra? Foi quase um ano depois, no entanto, que as cenas, especialmente em Copacabana e Ipanema, tornaram-se mais frequentes, e as imagens se espalharam pelo mundo.

Somente uma pessoa muito ingênua (por boa ou má intenção) acharia que em meio a toda essa convulsão social que temos vivido um fenômeno como esse deixaria de estar presente. O atual cenário onde poucos tem muito e muitos tem pouco só contribui cada vez mais para ampliar isso tudo, quem tem pouco tem muito pouco e começa a se rebelar contra quem tem muito. A necessidade de sobrevivência e a falta de acesso desses que tem pouco a boa formação e a serviços básicos da sociedade faz com que essa rebeldia seja cada vez mais animalesca e violenta.

Agora engana-se quem pensa que a atitude violenta seria algo exclusivo ao grupo dos pobres. Já estamos vendo movimentos do tipo “contra arrastões”, que na minha opinião acabam sendo motivados também por sobrevivência e falta de formação.

A sociedade arde em chamas de verão, chamas essas que precisam ser apagadas
Como apagaremos essas chamas é a grande questão. Infelizmente vai sempre haver quem diga: “são vagabundos e pitboys que não tem vergonha na cara e tem que ser colocados na cadeia”. Longe de mim incentivar a impunidade, mas tentar resolver problemas complexos com soluções simples quase nunca dá certo

A sociedade está em convulsão e assim como uma pessoa passando por esse problema sempre tem o mito de que tudo que temos que fazer é não deixar a “língua enrolar”.


Que tal dar o remédio certo para que isso não aconteça?