quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mídia sem lei é boa? Para quem?

Tenho visto muitos posts na internet exaltando a decisão do presidente da Argentina em acabar com o órgão regulador da mídia no país.

Sou totalmente contra censura e a favor de uma imprensa livre, no entanto, uma imprensa para ser realmente livre precisa ser regulada para que problemas como os que acontecem com a mídia no Brasil sejam evitados
Problemas com a mídia no Brasil? Sim, temos vários e eles só não são noticiados. já pensou porque?
O que vou falar agora dificilmente será mostrado em algum jornal (diferente de atitudes como as de Macri que a imprensa vai fazer questão de exaltar) mas o Brasil tem uma das legislações mais atrasadas do mundo em relação a mídia. Isso na verdade mostra os tentáculos que as grandes empresas dessa área tem dentro da política e o medo que alguns políticos tem de mexer nesses "vespeiro".
  1. O artigo 220, por exemplo, define que não pode haver monopólio ou oligopólio na comunicação social eletrônica. Hoje, no entanto, uma única emissora controla cerca de 70% do mercado de TV aberta.
  2. O artigo 221 define que a produção regional e independente devem ser estimuladas. No entanto, 98% de toda produção de TV no país é feita no eixo Rio-São Paulo pelas próprias emissoras de radiodifusão, e não por produtoras independentes.
  3. O artigo 223 define que o sistema de comunicação no país deve respeitar a complementaridade entre os setores de comunicação pública, privada e estatal. No entanto, a imensa maioria do espectro de radiodifusão é ocupada por canais privados com fins lucrativos. Ao mesmo tempo, as 5.000 rádios comunitárias autorizadas no país são proibidas de operar com potência superior a 25 watts, enquanto uma única rádio comercial privada chega a operar em potências superiores a 400.000 watts. Uma conta simples revela o evidente desequilíbrio entre os setores.
  4. O artigo 54 determina que deputados e senadores não podem ser donos de concessionárias de serviço público. No entanto, a família Sarney, os senadores Fernando Collor, Agripino Maia e Edson Lobão Filho, entre tantos outros parlamentares, controlam inúmeros canais em seus estados. Sem uma lei que regulamente tal artigo, ele – como os demais da Constituição – torna-se letra morta e o poder político segue promiscuamente ligado ao poder midiático.

É importante salientar que uma legislação adequada sobre a mídia não é coisa de esquerdista ou de comunista. Países liberais como Estados Unidos tem leis que tentam impedir a concentração de poder, na Suécia a publicidade infantil é proibida impedindo controle por parte de engenharia social praticada pela propaganda, e diversos países observam faixas etárias adequadas para cada tipo de programação.

Pergunte-se. A quem interessa a mídia sem lei? Regulamentar a mídia é democratizar a democracia


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Porque para mim o bloqueio do whatsapp é errado


  1. Os usuários estão sendo punidos em conjunto com a empresa. Decisões judiciais devem punir a quem de direito sem atingir a outras pessoas, ou seja, nesse caso os usuários não devem ser punidos juntamente. Portanto a ordem é desproporcional
  2. Prejudica as operadoras. O Marco Civil da Internet não permite que o provedor de serviços de telecom se responsabilize por atos de terceiros.
  3. O juiz visa com essa ordem forçar o Facebook (empresa que administra o aplicativo) a cumprir uma decisão judicial, mas há outros meios de fazer cumprir essa ordem.
  4. Suspender completamente o serviço de WhatsApp fere o direito a uso de todos os usuários, além de ir contra o livre acesso que dispõe o Marco Civil da Internet

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Táxi ou uber? Por que não os dois?

O aplicativo Uber chega trazendo alvoroço pois leva o modelo de economia de compartilhamento a um mercado muito organizado como o dos táxis, é natural que em toda essa polêmica tenhamos muita discussão em torno do tema, e com certeza você já deva ter presenciado em algum lugar debates sobre o tema.

Antes de mais nada é importante lembrar que o uber é regulamentado em vários lugares do mundo através de modelos diferentes adaptados à realidade e debate de cada local, no México, por exemplo, a solução encontrada foi taxar por corrida, na Holanda resolveu-se transformar os ubbers em táxis permitindo apenas recrutamento taxistas e assim por diante se adaptando a cada situação. Considero fato que não adianta esconder a questão proibindo e sim precisamos regulamentara atividade, inclusive proibir o uber fere o marco civil, concretizando uma proibição de aplicativos

Um ponto fundamental da questão é a forma como o ubber pode trazer uma revolução do modelo atual de alvarás de táxis (também chamados de autonomias), abre-se a possibilidade de que haja uma valorização do profissional taxista com a desvalorização dos alvarás, já que sabemos que a maioria desses alvarás não estão de posse dos taxistas e sim de pessoas de alto poder econômico que acabam por utilizar a situação para adquiri-los e explorar os motoristas de táxis cobrando taxas. Lembre-se que os modelos de autonomia de táxi em sua maioria foram sorteados pelas prefeituras, e posteriormente negociados ilegalmente. Há relatos de que em várias cidades temos verdadeiras máfias de taxis clandestinos

Incentivar modelos de economia de compartilhamento retira intermediários das negociações e ajuda a distribuição de renda

Outra reflexão importante é que a coparticipação do uber no mercado aumenta a concorrência incentivando a melhoria do serviço de taxi, muitas vezes tão questionado

Não pretendo entrar aqui no debate de qual modelo devemos utilizar na regulamentação isso resolve-se a seu momento, mas deixar claro que temos uma grande oportunidade nas mãos de incentivar melhoria de serviços e distribuição de renda na cidade.


Os próximos capítulos da novela dirão o que vai acontecer

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olha o arrastão !!!

Ainda me lembro quando era criança e essa prática começou a se tornar mais presente nas praias cariocas. Os arrastões surgiram no cotidiano da cidade em 1991. Em dezembro daquele ano, uma pesquisa feita pelo Departamento de Marketing do GLOBO mostrou que 41% dos cariocas acreditavam que a estação que se aproximava seria o “verão do arrastão”. Lembra? Foi quase um ano depois, no entanto, que as cenas, especialmente em Copacabana e Ipanema, tornaram-se mais frequentes, e as imagens se espalharam pelo mundo.

Somente uma pessoa muito ingênua (por boa ou má intenção) acharia que em meio a toda essa convulsão social que temos vivido um fenômeno como esse deixaria de estar presente. O atual cenário onde poucos tem muito e muitos tem pouco só contribui cada vez mais para ampliar isso tudo, quem tem pouco tem muito pouco e começa a se rebelar contra quem tem muito. A necessidade de sobrevivência e a falta de acesso desses que tem pouco a boa formação e a serviços básicos da sociedade faz com que essa rebeldia seja cada vez mais animalesca e violenta.

Agora engana-se quem pensa que a atitude violenta seria algo exclusivo ao grupo dos pobres. Já estamos vendo movimentos do tipo “contra arrastões”, que na minha opinião acabam sendo motivados também por sobrevivência e falta de formação.

A sociedade arde em chamas de verão, chamas essas que precisam ser apagadas
Como apagaremos essas chamas é a grande questão. Infelizmente vai sempre haver quem diga: “são vagabundos e pitboys que não tem vergonha na cara e tem que ser colocados na cadeia”. Longe de mim incentivar a impunidade, mas tentar resolver problemas complexos com soluções simples quase nunca dá certo

A sociedade está em convulsão e assim como uma pessoa passando por esse problema sempre tem o mito de que tudo que temos que fazer é não deixar a “língua enrolar”.


Que tal dar o remédio certo para que isso não aconteça?

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sobre mais um período de manifestações pró e contra: Existe uma terceira opção

Existe um grupo de pessoas que ao mesmo tempo está indignado com toda a corrupção do atual governo, mas entende que um processo de impeachment não é uma brincadeira e ele causaria instabilidade política e econômica no pais.

Gente que sabe que o estado precisa ser mais eficiente e que para isso não é necessário migrar para um socialismo e que o empreendedorismo é necessário sem que pra isso precisemos ser totalmente liberais. A guerra fria já acabou
Gente que defende o equilíbrio, o diálogo, a boa administração das idéias.
Gente que acha que progressistas e conservadores precisam conversar (quem sabe até colaborar) e sabe que os extremos dos dois lados sempre vão gerar autoritarismos

Gente do debate e não do embate

Gente que acha que a violência não leva a nada a não ser mais violência e que já passou da hora de mudar pela formação mais do que pela informação. Espaços sociais (físicos ou virtuais) poderiam ser locais de interação e não campo de batalha

Gente que pensa em gente, eu faço parte dessa gente...

sábado, 20 de junho de 2015

Guarda municipal armada pra quem?

Tenho por várias vezes dito que combater a violência, usando mais violência, só produzirá mais violência. Olho por olho e no final todos nós terminaremos cegos. Em mais uma atitude de tentativa pela força surge a ideia na nossa cidade de armar a guarda municipal, assim constituindo na prática uma espécie de “polícia municipal”.

Já de início me chama atenção o aspecto jurídico do projeto, pois a lei afirma que às guardas cabe a proteção dos bens municipais, serviços e "logradouros públicos", além de exercer as "competências de trânsito que lhe forem conferidas", ou seja, o policiamento ostensivo não seria uma competência delas, salvo uma emenda constitucional que ainda não aconteceu.

Quando me deparo com essa ideia de uma guarda municipal armada, uma pergunta me vem à cabeça, será que uma prefeitura que ainda não conseguiu cumprir sua promessa de construir uma nova cede para a guarda municipal terá condições de dar treinamento adequado e outras estruturas como por exemplo criação de corregedoria (que possa combater abusos com autos de resistência) ou serviço de avaliação psicológica? Particularmente acho que não

O que mais temos visto em treinamentos de forças militares são práticas espartanas de extrair dos seus alunos o que ainda lhes resta de humano, tornando-os insensíveis e cegos aos anseios dos cidadãos como ocorrem nos chamados “corredores poloneses” ou nos “rituais de iniciação”, e darem mais ênfase às noções do que sejam direitos e dignidade da pessoa humana. A cultura do enfrentamento deve ser substituída pela consciência cívica do “servir e proteger”

Com isso também aumentaremos os riscos inerentes à função que já são reais e vão expor os guardas e a população com maior frequência a situações de perigo e enfrentamento.

Entendo perfeitamente que algo precisa ser feito para freiar a violência, mas o combate a violência é um problema complexo, portanto populismos e revanchismos não vão resolver o problema. Problemas complexos não vão ser resolvidos com “soluções” simples, quando isso acontece quase sempre a “solução” vira problema.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Redução da maioridade, porque sou contra:

Leia, reflita, vamos pensar juntos?

1-  A redução da maioridade penal iria afetar, preferencialmente, jovens negros, pobres e moradores de áreas periféricas do Brasil,

2- Não se pode acreditar que a questão da violência que atinge o jovem ou que o utiliza é consequência da questão da maioridade

3- O adulto que usa o jovem para sua ação, sabendo que a maioridade foi diminuída não para a atividade, apenas adapta.

4- Já responsabilizamos adolescentes em ato infracional. A lei já existe, Resta ser cumprida

5- O índice de reincidência nas prisões é de 70%, ou seja a inclusão de jovens a partir de 16 anos no sistema prisional brasileiro não iria contribuir para a sua reinserção na sociedade.

6- O sistema prisional brasileiro não suporta mais pessoas.

7- Reduzir a maioridade penal não reduz a violência, só prende pessoas mais jovens

8- A maior parte dos países no mundo fixa a maioridade em 18 anos e vários que reduziram a idade penal depois de algum tempo ,observando o que aconteceu, voltaram atrás

9- Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa

10- Educar é melhor e mais eficiente do que punir

11- Reduzir a maioridade penal mostra mais uma face de um sistema que isenta o estado do compromisso com a juventude

12- Os adolescentes são as maiores vitimas, e não os principais autores da violência. Embora programas sensacionalistas na mídia não mostrem, menores cometem apenas 0,9% dos crimes no Brasil

13- Poder votar não tem a ver com ser preso com adultos. O voto aos 16 anos é opcional e não obrigatório. O voto não é para a vida toda, e caso o adolescente se arrependa ou se decepcione com sua escolha, ele pode corrigir seu voto nas eleições seguintes. Ele pode votar aos 16, mas não pode ser votado.

14- Temos mais jovens vítimas da criminalidade do que agentes dela. o Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes

15- Importantes órgãos como UNICEF têm apontado que não é uma boa solução.

16- Políticos ruins gostam de querer mostrar para sociedade o sofisma de que podemos solucionar problemas difíceis com soluções fáceis.

17- A pressão para a redução da maioridade penal está baseada em casos isolados, e não em dados estatísticos.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Redescobrimento do Brasil?

Que nós estamos vivendo um período de crise na política brasileira e nas relações entre, estado população e iniciativa privada quase ninguém duvida, porém por mais incrível que pareça, no final das contas isso pode ter um resultado bom. Não se esqueça que crise significa purificação ou oportunidade de crescimento. Tomo como base a Operação Mãos Limpas (ou Mani pulite), investigação judicial de grande envergadura na Itália, que semelhante a Lava-jato visava esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990.
Não me refiro a mudar as pessoas e instituições da agua para o vinho instantaneamente, mas sim de se criar o hábito de investiga-las sem impedimentos e punir os culpados de maneira pedagógica. Isso sim pode se tornar um verdadeiro hábito saudável. Pessoas corruptas existem em todas as sociedades até hoje, o que difere as sociedades é o quanto de espaço essas pessoas tem no poder.

A oportunidade está na nossa frente, e como podemos fazer para aproveita-la? Simples. Vamos dar voz ao bem, lembre-se que o silêncio dos bons é excelente para os maus. Sabemos que estamos num país que tem muita gente de bem e exatamente essas pessoas devem se tornar instrumentos de referencial.

Você que está lendo meu artigo pode ser um instrumento de referencial. Seja parte da mudança que você quer ver, quem sabe não é hora de redescobrir o Brasil e resgatar o que temos de melhor? O descobrimento do território já aconteceu, agora é uma excelente oportunidade de redescobrir, não mais o território e sim a identidade.

Bolsowyllys

Digo e repito que Bolsonaro e Jean Wyllys são grandes cabos eleitorais um do outro.

O pensamento de nenhum dos dois tem real interesse na resolução dos problemas, muito pelo contrário, quanto mais “o circo pegar fogo” e as pessoas tiverem medo do outro, melhor para eles.
Legislam de forma intransigente, por vias de embate e não de diálogo, mandatos voltados apenas para seus seguidores e não pensando no melhor para toda a sociedade. Nenhum dos dois me representa

terça-feira, 14 de abril de 2015

Será que estamos entendendo os protestos?

Evidentemente não se fala de outra coisa nos veículos de comunicação, todos de alguma forma fazem reportagens e se referem as manifestações do dia 12. Agora que a poeira abaixou, vale a pena olhar para os resultados e refletir sobre o que as ruas e as redes tem demonstrado, mas principalmente quem entenderá melhor o idioma falado por elas e terá condições de lhe dar uma resposta satisfatória.

A maior parte das pesquisas tem mostrado que em meio a essa nuvem de pautas, existe uma confluência em comum, o motivo mais citado pelas pessoas para ir as ruas foi a indignação com a corrupção. Há um esgotamento dos modelos de Estado, democracia e representação política, em grande parte por consequência dela e somado a isso os grandes problemas econômicos e sociais enfrentados pelo Brasil, na opinião da população também em grande parte motivados pela corrupção. Mais que somente um fora Dilma o grito parece mesmo um fora a esse sistema viciado

A nós que nos colocamos como lideranças capazes de conduzir o processo de soluções para os problemas vale um pensamento: Usando essa mesma língua das ruas e das redes precisamos apontar saídas e nos mostrar capazes de implanta-las. Com credibilidade podemos apontar metas, estipular prazos e prestar contas. Algo bem mais profundo que o atual governo que só soube fazer marketing.

O diálogo com as ruas e as redes (na sua língua) é uma grande chance de mostrar que é possível mudar. Movimentos como Podemos na Espanha e Syriza na Grécia, aproveitaram isso dando rumo pra insatisfação, e quem sabe não chegou a nossa hora?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Sou contra a redução da maioridade penal, me deixe te explicar

Todos nós sabemos que no Brasil a criminalidade é um dos principais problemas que assolam a população, em meio a esse quadro surgem diversas tentativas de resolução desse problema que vão de agendas liberais como liberação das drogas até conservadoras como pena de morte. Em meio a tudo isso sou simpatizante de um pensamento pragmático que olha para o que já foi feito em outros projetos de nações quando enfrentaram os mesmos problemas ou os evitaram. A pergunta é: o que realmente dá certo?

Não existem evidências claras de que nenhum país que adotou alguma agenda conservadora ou totalmente liberal até hoje tenha conseguido barrar a criminalidade. A redução da maioridade penal, a mim, parece uma tentativa de resposta irracional, com mais violência, e que causará mais violência ainda.

Os dados inclusive mostram que no Brasil menos de 1% dos homicídios são cometidos por adolescentes e mais 36% são cometidos contra adolescentes, ou seja, sem qualquer demagogia percebemos que os adolescentes são mais vítimas do que causadores da violência. O Brasil é o segundo país onde mais jovens são assassinados.

Em geral uma medida como essa afetaria em sua grande maioria jovens de classes sociais mais baixas e de famílias mais pobres, exatamente os mesmos que vem sendo criminalizados hoje. Tratar uma questão social como caso de polícia é um erro.

Observe países com os menores índices de criminalidade e perceba que são exatamente os mesmos que tem menores índices de desigualdade social, pois as políticas sociais se mostram eficazes no combate à criminalidade. Criminalidade e desigualdade caminham juntas e nosso país ainda vive um quadro de desigualdade enorme. Que tal combater a raiz do problema? Que tal tratar a causa e não o efeito?

Outro ponto importante é lembrar que no Brasil o índice de impunidade é grande e a maioria dos crimes é mal investigada, fator este que impulsiona a criminalidade em todos os níveis.

Pra finalizar deixo um conselho: Muito cuidado com soluções baseadas na lei do mínimo esforço, onde algum ente poli se apresenta uma solução rápida e fácil que não vai ao centro da questão é não resolve, apenas lhe dá votos.

Nossos jovens não precisam de mais violência.

domingo, 8 de março de 2015

“A”, de Ampla, Alagamento e Apagão

Você, cidadão niteroiense provavelmente nos últimos dias vem convivendo com uma série de problemas urbanos, não é?

Má prestação de serviços de energia elétrica, alagamentos e problemas constantes no trânsito. Esses acontecimentos só vem confirmando tudo que temos falado sobre a forma de administração do atual governo municipal. A cidade está nas mãos da construção civil e por conta disso não são cobradas contra partidas de mobilidade urbana, saneamento, abastecimento e ambientais.

A nossa luta é por uma cidade administrada e planejada “pelos cidadãos e para os cidadãos”, a longo prazo e visando o bem estar social antes do lucro. Convido você a curtir minha página, acompanhar nosso trabalho e dar sugestões sobre como podemos juntos construir uma Niterói melhor.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A “reforma política"

Mesmo achando que na atual configuração do congresso nacional dificilmente uma reforma política que venha corrigir os reais problemas no nosso sistema eleitoral será implantada, eu quero aqui demonstrar mais uma vez meu desejo de ver as seguintes alterações:

1- Mudanças no financiamento de campanha (efeito mensalão) : esse é um dos principais incentivos à corrupção, candidatos bem preparados não conseguem competir em igualdade de condições com outros que mesmo sendo menos preparados tem todo um aparato financeiro para bancar uma campanha pomposa e astronômica. Perceba que isso é um instrumento de desigualdade social, pois dessa forma pessoas de classes mais baixas da sociedade não conseguem na maioria das vezes disputar as eleições. Eleição não é dinheiro.

2- Fim da reeleição (efeito Dilmais) : Nesta última eleição ficou muito claro que a reeleição gera um fim de mandato totalmente eleitoral e que acaba prejudicando toda a população, o candidato disputando reeleição acaba mais preocupado com o pleito do que o governo.

3- Cláusula de Barreira (efeito PMDB): num sistema eleitoral com quase 40 partidos é quase impossível governar. Como a maioria só visa apoio a governos em troca de cargos e não de acordos programáticos ou alinhamento ideológico. O governo loteia os ministérios e cargos de primeira linha para poder obter apoio. Um sistema eleitoral com essa quantidade de partidos gera poucos com ideologia forte e uma enormidade de outros que simplesmente vão de um lado para o outro des de que ganhem algo com isso, os partidos de centro não ideológico são os que mais crescem. Qualquer semelhança com o PMDB não seja considerada mera coincidência.

4- Limite na quantidade de cargos comissionados (efeito prefeituras): todos os governos, sem exceção, estão cheio deles. Moeda de troca entre parlamentares executivo para  apoio do legislativo. Os mandatários do legislativo em muitos casos empregam seus cabos eleitorais e pessoas para trabalhar em campanhas políticas.

5- Revisão do mandato (efeito pinóquio): os eleitores podem cobrar ações do político eleito durante o mandato e caso ele não esteja cumprindo o que prometeu pode ser iniciado um processo de cassação.

6- Voto distrital Mixto (efeito tiririca): O voto proporcional tem gerado fenômenos ruins nos partidos políticos que trabalham em muitas vezes com puxadores de votos para eleger outros candidatos inexpressivos e inchar suas bancadas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O que aprendemos com a eleição da câmara?

Olhar os motivos que levam essa eleição a presidência da câmara dos deputados a ser tão complicada me faz refletir porque a reforma política se faz tão necessária. O governo precisa lotear os ministérios e distribuir cargos para conseguir apoio da base. Não hexiste compromisso programático ou com projeto de governo, apenas interesses pessoais.

Mesmo assim essa base montada no troca-troca dá claros sinais de que não é nem tanto fiel assim. O PT teme Eduardo Cunha pois sabe que se o escândalo da Petrobras desembocar em um pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Cunha, para demonstrar sua independência do Governo, levaria a medida ao Congresso.

Num sistema partidário como o nosso, inchado de partidos sem ideologia que simplesmente migram de um lado para o outro des de que ganhem algo com isso, a capacidade de governo fica restrita, já que o serviço dos ministérios fica mais a cargo dos partidos do que de um projeto de governo.

A reforma até agora parece ser a alternativa mais adequada para que isso possa ser resolvido. A pergunta é, quando teremos motivação política para isso?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Estação das barcas “fake”

Seguindo a onda dos eventos fake no facebook, hoje fui surpreendido por uma idéia muito interessante e bem humorada, que reflete o desejo da população por uma estrutura de transportes públicos adequada que preste serviço digno e com qualidade. Alguém teve a idéia de criar um evento “inauguração da estação das barcas em São Gonçalo”.

Infelizmente a previsão é de que esse evento só vá ficar no fake mesmo, pelos menos por enquanto, nenhum dos atuais governantes se movimenta para que essa solução (que beneficiária todos os municípios do entorno da estação) seja implantada.

Vale lembrar que a hipótese de que não havia viabilidade técnica na região onde ela seria instalada caiu por terra, mas mesmo assim a obrigatoriedade da construção da estação, que estava presente no contrato anterior, não foi incluída no atual contrato com a concessionária, ou seja, ela não é mais obrigada a construir essa estação. Triste não é?

Por enquanto vou marcar presença no evento e continuar protestando. Vai que um dia nós conseguimos.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Je suis Niterói

Me permita utilizar desse trocadilho para  chamar a atenção de algo fundamental na construção de uma sociedade mais justa, seja em âmbito mundial ou municipal. Falo assim porquê entendo que observando todos os problemas que temos enfrentado atualmente, me chama muito a atenção a raiz responsável por muito disso tudo, tanto na França ou em Niterói. O interesse pessoal em detrimento do bem estar dos outros.

Olhe para o problema que passamos aqui nos últimos dias com transporte público por exemplo. Grupos que não pensam na população e tem poder administrativo, não se importam em causar mal e explorar inúmeros usuários de ônibus.

"Quem se importa se vamos prejudica-los? O negócio mesmo é pensar nos meus interesses". Infelizmente parece que o pensamento é esse.

Pensar no próximo é um excelente exercício de bem estar, faz bem pra todos, principalmente para aquele que pratica essa atitude. Quanto mais fizermos isso menos problemas sociais teremos, menos terrorismo e intolerância (municipal ou internacional) serão praticados e a administração melhor, gerando mais bem estar social, acontecerá.

Farinha pouca? Vamos dividir para todos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Porque temos tantos problemas com transporte público?

Os últimos dias tem sido terríveis para os usuários de transporte público no estado do Rio de Janeiro, na verdade, acidentes, aumentos abusivos nas tarifas e maus serviços prestados tem infelizmente se tornado constantes no dia a dia da população. Em meio a toda essa discussão, uma pergunta pode se tornar recorrente. Porquê nunca conseguimos dar um basta em todos esses problemas que a anos oprimem a vida dos usuários?   Entre outras causas quero aqui pedir licença para lhe explicar as principais.

1- A lógica em que a administração é feita: Fica muito claro observando as administrações que o usuário não é (e nunca foi) a prioridade. Gestões voltadas para o interesse e lucro de poucos em detrimento da exploração de muitos se tornam um problema crônico, antigo em nosso país e que se faz claramente presente mais uma vez quando olhamos para os transportes públicos de nosso estado.

2- Relações entre governantes e empresários: toda essa lógica tem uma explicação, as relações muitas vezes promíscuas entre governo e empresariado são impulsionadas pela forma como lidamos com as campanhas políticas ao longo da eleições. Esse problema passa pelo financiamento de campanha. A matemática é simples,  para conseguir se eleger, um candidato precisa de uma campanha publicitária milionária, para isso precisa de recursos e para consegui recursos, precisa de financiadores, para conseguir financiamento, precisa fazer acordos com o empresariado e aqueles que tentam fazer política de uma forma diferente, sem nenhum tipo de acordo, enfrentam enormes dificuldades para apresentarem suas propostas, o que acabara fazendo com que (na sua maioria) apenas os que se comprometem com acordos assumam a adminstração e empresários que tentam empreender de forma ética tenham muito mais problemas para conseguirem êxito. Eleições se tornam mecanismos desiguais.

3- Irregularidades: Seguindo esse raciocínio, fica fácil entender porque temos problemas com, contratos, fiscalização e tarifação. Todos os ambientes políticos acabam por se tornar reféns do sistema e por conta disso totalmente medrosos em tomar qualquer atitude contrariando o interesse de quem lhes financia. Estamos cheios de exemplos de investigações que mostram isso.

Existem soluções? Sim. Tratando de forma direta esses problemas conseguimos desenvolver soluções que possam trazer melhorias estruturais. A reforma política se faz necessária, de uma forma que possa mudar a estrutura do sistema. Não sou a favor em momento nenhum de uma solução radical como a implantação do socialismo (até porque entendo que ele na prática nunca deu certo), mas de buscar soluções que possam colocar a população como prioridade de seu governo e dando oportunidade aqueles que querem empreender de forma limpa, preservando a “real” livre iniciativa, tornando o estado um ente de busca de bem estar social.

Uma vez que possamos implantar esse tipo de solução, a lógica começa a se inverter e consequentemente a prestação de serviços melhora. Transporte público (de qualidade) é serviço essencial.

Enquanto isso não acontece, que nossos esforços em protestar e dar opções de uma política diferente sigam firmes buscando uma sociedade mais justa e sustentável.