Ainda me lembro quando era criança e essa prática começou a
se tornar mais presente nas praias cariocas. Os arrastões surgiram no cotidiano da
cidade em 1991. Em dezembro daquele ano, uma pesquisa feita pelo Departamento
de Marketing do GLOBO mostrou que 41% dos cariocas acreditavam que a estação
que se aproximava seria o “verão do arrastão”. Lembra? Foi quase um ano depois,
no entanto, que as cenas, especialmente em Copacabana e Ipanema, tornaram-se
mais frequentes, e as imagens se espalharam pelo mundo.
Somente uma pessoa muito ingênua (por boa ou má intenção)
acharia que em meio a toda essa convulsão social que temos vivido um fenômeno como
esse deixaria de estar presente. O atual cenário onde poucos tem muito e muitos
tem pouco só contribui cada vez mais para ampliar isso tudo, quem tem pouco tem
muito pouco e começa a se rebelar contra quem tem muito. A necessidade de
sobrevivência e a falta de acesso desses que tem pouco a boa formação e a
serviços básicos da sociedade faz com que essa rebeldia seja cada vez mais animalesca
e violenta.
Agora engana-se quem pensa que a atitude violenta seria algo
exclusivo ao grupo dos pobres. Já estamos vendo movimentos do tipo “contra
arrastões”, que na minha opinião acabam sendo motivados também por sobrevivência
e falta de formação.
A sociedade arde em chamas de verão, chamas essas que
precisam ser apagadas
Como apagaremos essas chamas é a grande questão. Infelizmente
vai sempre haver quem diga: “são vagabundos e pitboys que não tem vergonha na
cara e tem que ser colocados na cadeia”. Longe de mim incentivar a impunidade,
mas tentar resolver problemas complexos com soluções simples quase nunca dá
certo
A sociedade está em convulsão e assim como uma pessoa
passando por esse problema sempre tem o mito de que tudo que temos que fazer é
não deixar a “língua enrolar”.
Que tal dar o remédio certo para que isso não aconteça?
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