segunda-feira, 23 de março de 2015

Sou contra a redução da maioridade penal, me deixe te explicar

Todos nós sabemos que no Brasil a criminalidade é um dos principais problemas que assolam a população, em meio a esse quadro surgem diversas tentativas de resolução desse problema que vão de agendas liberais como liberação das drogas até conservadoras como pena de morte. Em meio a tudo isso sou simpatizante de um pensamento pragmático que olha para o que já foi feito em outros projetos de nações quando enfrentaram os mesmos problemas ou os evitaram. A pergunta é: o que realmente dá certo?

Não existem evidências claras de que nenhum país que adotou alguma agenda conservadora ou totalmente liberal até hoje tenha conseguido barrar a criminalidade. A redução da maioridade penal, a mim, parece uma tentativa de resposta irracional, com mais violência, e que causará mais violência ainda.

Os dados inclusive mostram que no Brasil menos de 1% dos homicídios são cometidos por adolescentes e mais 36% são cometidos contra adolescentes, ou seja, sem qualquer demagogia percebemos que os adolescentes são mais vítimas do que causadores da violência. O Brasil é o segundo país onde mais jovens são assassinados.

Em geral uma medida como essa afetaria em sua grande maioria jovens de classes sociais mais baixas e de famílias mais pobres, exatamente os mesmos que vem sendo criminalizados hoje. Tratar uma questão social como caso de polícia é um erro.

Observe países com os menores índices de criminalidade e perceba que são exatamente os mesmos que tem menores índices de desigualdade social, pois as políticas sociais se mostram eficazes no combate à criminalidade. Criminalidade e desigualdade caminham juntas e nosso país ainda vive um quadro de desigualdade enorme. Que tal combater a raiz do problema? Que tal tratar a causa e não o efeito?

Outro ponto importante é lembrar que no Brasil o índice de impunidade é grande e a maioria dos crimes é mal investigada, fator este que impulsiona a criminalidade em todos os níveis.

Pra finalizar deixo um conselho: Muito cuidado com soluções baseadas na lei do mínimo esforço, onde algum ente poli se apresenta uma solução rápida e fácil que não vai ao centro da questão é não resolve, apenas lhe dá votos.

Nossos jovens não precisam de mais violência.

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